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P-Crítica :: Quem quer ser um Milionário?

dom, 08 de março de 2009

1 Comentário

Indicado a dez estatuetas do Oscar e vencedor de oito delas, “Quem Quer Ser um Milionário?” mostra a vida inteira de um garoto que conta com a sorte (ou destino) para reencontrar um grande amor e ganhar dinheiro, apesar de o fator financeiro não ser a prioridade dele. Um filme sobre as possibilidades e impossibilidades da vida.

Jamal Malik está prestes a ganhar 20 milhões de rúpias. O jovem participa da versão indiana do programa “Quem Quer Ser um Milionário?”, uma espécie de “Show do Milhão”. Entretanto, Jamal é apenas o garoto do café de uma empresa de telefonia e teve uma infância difícil, crescendo a cada experiência que tinha nas ruas. Em um programa cujas perguntas nunca são fáceis nem para médicos e professores, Jamal apenas sabe as respostas. Sua infância e adolescência problemáticas o ajudaram, de alguma forma, a saber das respostas. Antes que possa concorrer aos 20 milhões de rúpias, a polícia o prende por trapaça. É a partir daí que Jamal conta como chegou tão longe no programa e o por quê de estar lá.

Quem Quer Ser um Milionário?” conquistou platéias e críticos por onde passou. O longa é uma verdadeira ode à vida e constrói, em cima de uma biografia, um amor impossível. Como um conto de fadas contemporâneo, Shakespeare inspira o romance de Jamal e Latika, que impulsiona a ida do jovem ao programa de televisão. Para Jamal, ganhar o dinheiro não era prioridade, mas torna-se impossível não cobiçar as rúpias quando ele vê que o destino conspirou a seu favor. Não apenas uma história de amor, o longa narra com eficácia por meio de flashbacks a vida do próprio Jamal, que nunca desconfiou que sua vida mudaria, neste caso, ganhando muito dinheiro na televisão.

O roteiro de Simon Beaufoy, baseado na obra “Sua Resposta Vale um Bilhão”, de Vikas Siwarup, empilha de maneira brilhante os fatos da vida de Jamal para fazer com que o público aceite a possibilidade de, em um programa de televisão, todas as perguntas se relacionarem diretamente com a história do concorrente. É quase uma fuga da realidade, mas desde o começo o longa defende a idéia do que está escrito e é destinado a cada um. Além da infância de Jamal, a paixão shakespeariana que dá motivação ao protagonista também encanta e mostra-se viável para a construção da narrativa, que não é centrada apenas em um lance do destino na vida de Jamal, mas acima de tudo um romance que precisa ter seu desfecho.

Depois do mediano “Sunshine - Alerta Solar”, o cineasta Danny Boyle volta aos holofotes e constrói outro filme de destaque em sua carreira. Com obras elogiadas como “Trainspotting” e “Por uma Vida Menos Ordinária”, Boyle faz de “Quem Quer Ser um Milionário?” ser imperdível. Nas diferentes etapas de vida de Jamal, Boyle consegue registrar a trama com as melhores alternativas de linguagem. O garoto favelado que perdeu a mãe e foi “criado” pelo irmão divide espaço com a pobreza e o lixo que rodeavam a vida dos meninos. A divergência de personalidade dos irmãos também é registrada cuidadosamente por Boyle, para que a empatia seja criada desde os primeiros minutos com Jamal. A paixão infantil do protagonista por Latika também nasce como uma mágica. Para o resultado final, Boyle foi auxiliado nas terras indianas pelo cineasta Loveleen Tandan, que foi necessário para fazer uma leitura coerente da Índia e de seus personagens.

A experiência de Boyle faz com que o longa seja uma experiência cinematográfica incrível, que se reafirma com perfeição a cada minuto de projeção. Acompanhado por uma trilha sonora adequada a cada sequência, a fotografia engrandece o enredo, que explora as belezas indianas mesmo quando se trata de mostrar seu lado negativo. As cenas em um lixão e nas favelas são de dar inveja a qualquer cineasta brasileiro que já mostrou um ‘favela movie’ nas telonas. A preocupação com a estética revela o rigor e cuidado que a equipe técnica teve para transformar um filme não só em uma boa história, mas em um belo exercício de recursos visuais e sonoros em cena. A edição do longa facilita a compreensão e não deixa que a história se perca ou fique desinteressante, mesmo que não seja contada linearmente.

Para completar a perfeição técnica, o elenco, em sua maior parte indiano, surpreende pela facilidade em lidar com as câmeras. Os atores infantis e adolescentes carregam nas costas a primeira metade do longa com uma experiência pouco vista em Hollywood. O protagonista Dev Patel, apesar de optar por se mostrar como um coitado perdido no meio do mundo, cria empatia com o público, principalmente quando passa a compreender o que o destino lhe guarda no programa. A atriz Freida Pinto vive o interesse romântico de Jamal e oferece uma beleza incrível que é exaltada pelas câmeras de Boyle, que descansa sobre a jovem e parece nunca ser demais repetir seu sorriso e sensibilidade. Já o ator Anil Kapoor, que interpreta o apresentador de “Quem Quer Ser um Milionário?”, resume a arrogância das pessoas e o lado negativo da sociedade que sempre atrapalha o crescimento de alguém. Apesar de canastrão, Kapoor dosa bem sua falsidade e recalque, sempre disposto a brincar com as pessoas também na vida real.

Um filme sobre a crença das pessoas no destino, “Quem Quer Ser um Milionário?” é tudo que a crítica especializada tem exaltado. O drama tem qualidade inquestionável e ousa também em inserir toques cômicos nos momentos mais adequados. Visualmente impecável, o longa deve ser visto por toda a família e suscita o debate do que a vida guarda para cada um de nós, além de mostrar que amores impossíveis nem sempre são tão impossíveis assim. Em tempos que o clichê envolve novelas e filme nacionais, além de produções hollywoodianas, mostrar a Índia como palco de um grande enredo é, acima de tudo, apaixonante.

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Artigo escrito por:

keoma, que já escreveu incríveis 2 artigos no Ploog.com.br.


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1 Comentário

  1. Thiago Rossener disse:



    Muito bom o artigo, ainda nao vi o filme, mas verei logo logo.

    #1

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